André Romão:
O Inverno do (nosso) descontentamento
The Winter of (our) discontent
07.01.2010 | 13.02.2010



A Kunsthalle Lissabon apresenta a primeira exposição individual de André Romão, O Inverno do (nosso) descontentamento. A prática do artista explora não apenas as sobreposições, mas também as falhas e ausências de sentido na contiguidade entre referências e episódios históricos, literários e artísticos. Tal exploração tem como objectivo a abertura de um campo de significado lato, um terreno movediço entre ética e estética, politica e poética, historiografia e misticismo. Romão efectua uma pesquisa contínua sobre o que se pode desocultar de terrivelmente humano na produção cultural, na inevitabilidade das transições na ciclicidade histórica e permanência de conceitos.

O titulo da exposição surge por duas vias; por uma lado, “inverno do descontentamento”, nome genérico de um período de greves e contestação social em Inglaterra durante a década de setenta do séc XX; por outro, “ò inverno do nosso descontentamento, convertido agora em glorioso verão...”, uma famosa citação da peça Ricardo III de Shakespeare, que dá conta da mudança de fortuna para a casa de York. As duas referências apontam para períodos de mudança, e são esses momento de passagem, com as sua falhas, sobreposições, energia e medo de transição, que se pode dizer que constituem o cerne dos trabalhos agora apresentados.

O projecto para a Kunsthalle Lissabon surge no seguimento de projectos anteriores (“Nada dura para sempre”, Galeria Pedro Cera, Lisboa e “Tudo dura para sempre”, Pavilhão Branco, Museu da Cidade, Lisboa) que podem ser considerados como constitutivos de um ciclo de trabalho genericamente intitulado “O Estado perfeito”, no qual Romão investiga o posicionamento do indivíduo na comunidade humana (histórica, política, social, emocional) e no confronto com o inevitável decorrer do tempo.

André Romão nasceu em Lisboa em 1984 e vive actualmente em Berlim. Licenciado em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa é actualmente bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na Künstlerhaus Bethanien em Berlim. Tendo iniciado a sua actividade expositiva em meados dos anos 2000, destaca-se a sua participação nas seguintes exposições: O Sol morre cedo, Pavilhão Branco - Museu da Cidade, 2009; Democracia entre Tiranos, Galeria Pedro Cera, 2009; JENSEITS, EnBlanco, Berlim, 2009; Ocorrência, Galeria Baginski, 2008; Luoghi per Eroi, Vianuova-Arte Contemporanea, Florença, 2008 e A river ain’t too much to love, Spike Island, Bristol, 2008. Em 2007 venceu o Prémio EDP Novos Artistas. É representado pela Galeria Baginski, Lisboa.



http://o-declive.blogspot.com/2007/07/blog-post_21.html




Kunsthalle Lissabon is proud to present The winter of (our) discontent, André Romão's first solo exhibition. Romão's work explores both the overlapping of and the flaws and absences of sense in historical, literary and artistic episodes. Such exploration has as a goal the opening up of a broad field of meaning, a precarious ground between ethics and aesthetics, politics and poeticcs, historiography and mysticism. The artist acts through a continuous research on the human aspects that can be found in cultural production and, more specifically, in the inevitability of transition within historical cycles.

The title of the exhibition thus appears through two different ways: on one side, “winter of discontent” is the generic name given to a period in United Kingdom's recent history, the seventies, marked by several strikes and social upheavel; on the other side, “Now is the winter of our discontent | Made glorious summer by this sun of York”, the famous opening lines of Shakespeare's Richard III, describing the changes happening to the House of York. Both references point towards periods of change, and their inherent flaws, overlappings, energy and fear of change, which constitute the core of the works specifically developed for and now being presented in Kunsthalle Lissabon.

The winter of (our) discontent comes in line with a series of previous projects (“Nothing lasts forever”, Galeria Pedro Cera, Lisbon and “Everything lasts forever”, Pavilhão Branco, Museu da Cidade, Lisbon), that are part of a work cycle entitled “The perfect state” and through which Romão researches the individual's position in a larger human community (historical, political, social, emotional) and towards the inevitable passing of time.

André Romão was born in Lisbon in 1984 and currently lives and works in Berlin. Having studied Communication Design at the Faculty of Fine Arts, University of Lisbon, he is currently Calouste Gulbenkian Foundation's resident artist at Künstlerhaus Bethanien, in Berlin. Romão has shown work in O Sol morre cedo, Pavilhão Branco - Museu da Cidade, Lisbon, Portugal, 2009; Democracia entre Tiranos, Galeria Pedro Cera, Lisbon, Portugal, 2009; JENSEITS, EnBlanco, Berlin, Germany, 2009; Ocorrência, Galeria Baginski, Lisbon, Portugal, 2008; Luoghi per Eroi, Vianuova-Arte Contemporanea, Florence, Italy, 2008 and A river ain’t too much to love, Spike Island, Bristol, UK, 2008. In 2007 Romão was awarded the EDP New Artists Award. He is represented by Galeria Baginski.




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